FIV em bovinos: conheça a forma mais rápida de melhorar a genética do rebanho

A Fertilização in vitro, conhecida pela sigla FIV, objetiva a multiplicação da produção de bezerros geneticamente superiores. Aprenda tudo sobre a FIV em bovinos, a biotécnica que pode acelerar o melhoramento do seu rebanho, encurtando em até 10 anos o processo de seleção.

Você verá nesse artigo:

  • O que é FIV?
  • Por que fazer FIV em bovinos?
  • Etapas da FIV em bovinos
  • Vantagens da FIV em bovinos
  • FIV no Brasil
  • Uso estratégico da FIV em bovinos

O que é FIV?

A fertilização in vitro (FIV) é utilizada para agilizar a produção de bezerros e, consequentemente, bovinos geneticamente superiores. Caracteriza-se, juntamente à inseminação artificial (IA), à inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e à transferência de embriões (TE) como uma biotécnica encarregada pela acelerada progressão genética dos rebanhos.

O diferencial da FIV é que a mesma possibilita que uma fêmea produza muitos bezerros por ano. Além disto, esta técnica permite a utilização de fêmeas geneticamente superiores que por algum motivo não possa reproduzir-se naturalmente.

fiv em bovinos

Por que fazer FIV?

A FIV acelera o ganho genético do rebanho. Estima-se que a inseminação artificial (IA) permita a obtenção de um bezerro por ano, a transferência de embriões (TE) um por mês e a FIV um bezerro por semana. 

Segundo a Embrapa Gado de Leite (2016) a utilização da técnica de fertilização in vitro na reprodução de bovinos leiteiros pode agilizar o melhoramento genético, encurtando em pelo menos três gerações ou cerca de 10 anos de seleção. Com isto, a FIV permite saltos rápidos na produção e qualidade de leite.

Etapas da FIV

A FIV ocorre em basicamente em três etapas:

  • Maturação in vitro (MIV);
  • Fertilização in vitro (FIV); e
  • Cultivo in vitro (CIV).

 Maturação in vitro (MIV)

Esta etapa consiste na aspiração folicular guiada por ultrassom. Como trata-se de um procedimento minucioso, ou seja, que apresenta muitos detalhes, deve ser realizado somente por médico veterinário especializado.

Após a aspiração folicular, os oócitos da doadora são acondicionados em placas com meio de cultura para que a maturação seja finalizada em incubadora (por período de 24h). Depois, quando já maturados (com desenvolvimento completo), os oócitos encontram-se aptos à fertilização pelo espermatozoide.

 

Fertilização in vitro (FIV)

Ao final da maturação, os oócitos são colocados em nova placa contendo meio de fertilização específico, onde serão co-cultivados com espermatozóides.

O sêmen é processado de forma que apenas espermatozóides vivos e livres de fatores indesejáveis sejam selecionados. Também é avaliada a concentração e motilidade (facilidade de se mover) para que seja ajustada a dose a ser utilizada.

 

Cultivo in vitro (CIV)

Após a fertilização in vitro, os possíveis zigotos (célula formada com a união do espermatozoide com o oócito) são novamente transferidos para nova placa contendo meio específico para que ocorra o desenvolvimento do embrião.

Ao término desta etapa, os embriões considerados viáveis são classificados e envasados individualmente em palhetas para que possam ser transferidos para vacas receptoras, também conhecidas como vacas “barriga de aluguel”.

fiv em bovinos

Vantagens da FIV

O primeiro bezerro in vitro do Brasil nasceu em 1994. Desde este acontecimento, a técnica tem alcançado notoriedade devido às inúmeras vantagens.  

Como vantagens, a FIV possibilita:

  • Que um grande número de embriões seja produzido a partir de uma doadora (vários bezerros descendentes de uma vaca em um ano);
  • Intervalo menor entre coletas;
  • Qualidade genética superior dos embriões (vantagem em relação à inseminação artificial, na qual muitas vezes somente o macho é geneticamente superior);
  • Resistência elevada à criopreservação (congelamento a temperaturas muito baixas);
  • Aproveitamento de fêmeas mais novas ou mais velhas, que não suportariam uma gestação.
fiv em bovinos

FIV em bovinos no Brasil

O Brasil é líder na produção de embriões bovinos pela técnica da fertilização in vitro (FIV), sendo exportador para países como Costa Rica, Uruguai, Bolívia, República Dominicana, Moçambique, Paraguai e Etiópica. Estes mercados foram abertos a partir do ano de 2015.

Essa tecnologia beneficia diretamente produtores de leite, do micro ao grande.

  • Melhoramento genético do rebanho
  • Aumento na proporção de nascimento de fêmeas
  • Maior produtividade de leite/vaca/ano
  • Aumento da renda com a atividade.

Estas melhorias ocorrem independente do sistema de criação, desde a criação de animais Girolando a pasto ou Holandeses em confinamento, por exemplo.

A possibilidade de transferência de embriões frescos foi um dos fatores que contribuíram para melhorar o custo/benefício. O Brasil desenvolveu incubadoras portáteis, que possibilitaram que o desenvolvimento dos embriões iniciasse no laboratório e terminasse no transporte em até cinco dias, enquanto transportados para a fazenda.

Uso estratégico da FIV

Assim como com toda tecnologia, o uso da FIV deve ser estratégico. É imprescindível o acompanhamento por um(a) consultor(a) capacitado(a), que analise o uso da FIV, de acordo com a realidade da propriedade.

A FIV é uma ferramenta interessante para o pecuarista que visa o aumento da rentabilidade do negócio por meio da evolução genética do rebanho. Uma das principais causas da busca da FIV é a possibilidade do avanço genético.

O pecuarista pode, por meio da consultoria de um especialista, selecionar uma doadora superior e fertilizar com o sêmen do melhor touro (para cada situação).

O Brasil conta com centrais de transferência de embriões que colocam à disposição o serviço completo de FIV. Alguns, ainda, fecham parcerias com laticínios que subsidiam (pagam) 50 até 75% da prenhez.

A fertilização in vitro, se bem utilizada, pode promover ganhos extraordinários, sejam genéticos ou econômicos. Contudo, caso seja realizada de maneira inadequada, pode promover sérios prejuízos. Dessa forma, consulte sempre um especialista.

FIV em bovinos: conheça a forma mais rápida de melhorar a genética do rebanho

A Fertilização in vitro, conhecida pela sigla FIV, objetiva a multiplicação da produção de bezerros geneticamente superiores. Aprenda tudo sobre a FIV em bovinos, a biotécnica que pode acelerar o melhoramento do seu rebanho, encurtando em até 10 anos o processo de seleção.

Você verá nesse artigo:

  • O que é FIV?
  • Por que fazer FIV em bovinos?
  • Etapas da FIV em bovinos
  • Vantagens da FIV em bovinos
  • FIV no Brasil
  • Uso estratégico da FIV em bovinos

O que é FIV?

A fertilização in vitro (FIV) é utilizada para agilizar a produção de bezerros e, consequentemente, bovinos geneticamente superiores. Caracteriza-se, juntamente à inseminação artificial (IA), à inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e à transferência de embriões (TE) como uma biotécnica encarregada pela acelerada progressão genética dos rebanhos.

O diferencial da FIV é que a mesma possibilita que uma fêmea produza muitos bezerros por ano. Além disto, esta técnica permite a utilização de fêmeas geneticamente superiores que por algum motivo não possa reproduzir-se naturalmente.

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Por que fazer FIV?

A FIV acelera o ganho genético do rebanho. Estima-se que a inseminação artificial (IA) permita a obtenção de um bezerro por ano, a transferência de embriões (TE) um por mês e a FIV um bezerro por semana. 

Segundo a Embrapa Gado de Leite (2016) a utilização da técnica de fertilização in vitro na reprodução de bovinos leiteiros pode agilizar o melhoramento genético, encurtando em pelo menos três gerações ou cerca de 10 anos de seleção. Com isto, a FIV permite saltos rápidos na produção e qualidade de leite.

Etapas da FIV

A FIV ocorre em basicamente em três etapas:

  • Maturação in vitro (MIV);
  • Fertilização in vitro (FIV); e
  • Cultivo in vitro (CIV).

 Maturação in vitro (MIV)

Esta etapa consiste na aspiração folicular guiada por ultrassom. Como trata-se de um procedimento minucioso, ou seja, que apresenta muitos detalhes, deve ser realizado somente por médico veterinário especializado.

Após a aspiração folicular, os oócitos da doadora são acondicionados em placas com meio de cultura para que a maturação seja finalizada em incubadora (por período de 24h). Depois, quando já maturados (com desenvolvimento completo), os oócitos encontram-se aptos à fertilização pelo espermatozoide.

 

Fertilização in vitro (FIV)

Ao final da maturação, os oócitos são colocados em nova placa contendo meio de fertilização específico, onde serão co-cultivados com espermatozóides.

O sêmen é processado de forma que apenas espermatozóides vivos e livres de fatores indesejáveis sejam selecionados. Também é avaliada a concentração e motilidade (facilidade de se mover) para que seja ajustada a dose a ser utilizada.

 

Cultivo in vitro (CIV)

Após a fertilização in vitro, os possíveis zigotos (célula formada com a união do espermatozoide com o oócito) são novamente transferidos para nova placa contendo meio específico para que ocorra o desenvolvimento do embrião.

Ao término desta etapa, os embriões considerados viáveis são classificados e envasados individualmente em palhetas para que possam ser transferidos para vacas receptoras, também conhecidas como vacas “barriga de aluguel”.

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Vantagens da FIV

O primeiro bezerro in vitro do Brasil nasceu em 1994. Desde este acontecimento, a técnica tem alcançado notoriedade devido às inúmeras vantagens.  

Como vantagens, a FIV possibilita:

  • Que um grande número de embriões seja produzido a partir de uma doadora (vários bezerros descendentes de uma vaca em um ano);
  • Intervalo menor entre coletas;
  • Qualidade genética superior dos embriões (vantagem em relação à inseminação artificial, na qual muitas vezes somente o macho é geneticamente superior);
  • Resistência elevada à criopreservação (congelamento a temperaturas muito baixas);
  • Aproveitamento de fêmeas mais novas ou mais velhas, que não suportariam uma gestação.
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FIV em bovinos no Brasil

O Brasil é líder na produção de embriões bovinos pela técnica da fertilização in vitro (FIV), sendo exportador para países como Costa Rica, Uruguai, Bolívia, República Dominicana, Moçambique, Paraguai e Etiópica. Estes mercados foram abertos a partir do ano de 2015.

Essa tecnologia beneficia diretamente produtores de leite, do micro ao grande.

  • Melhoramento genético do rebanho
  • Aumento na proporção de nascimento de fêmeas
  • Maior produtividade de leite/vaca/ano
  • Aumento da renda com a atividade.

Estas melhorias ocorrem independente do sistema de criação, desde a criação de animais Girolando à pasto ou Holandeses em confinamento, por exemplo.

A possibilidade de transferência de embriões frescos foi um dos fatores que contribuíram para melhorar o custo/benefício. O Brasil desenvolveu incubadoras portáteis, que possibilitaram que o desenvolvimento dos embriões iniciasse no laboratório e terminasse no transporte em até cinco dias, enquanto transportados para a fazenda.

Uso estratégico da FIV

Assim como com toda tecnologia, o uso da FIV deve ser estratégico. É imprescindível o acompanhamento por um(a) consultor(a) capacitado(a), que analise o uso da FIV, de acordo com a realidade da propriedade.

A FIV é uma ferramenta interessante para o pecuarista que visa o aumento da rentabilidade do negócio por meio da evolução genética do rebanho. Uma das principais causas da busca da FIV é a possibilidade do avanço genético.

O pecuarista pode, por meio da consultoria de um especialista, selecionar uma doadora superior e fertilizar com o sêmen do melhor touro (para cada situação).

O Brasil conta com centrais de transferência de embriões que colocam à disposição o serviço completo de FIV. Alguns, ainda, fecham parcerias com laticínios que subsidiam (pagam) 50 até 75% da prenhez.

A fertilização in vitro, se bem utilizada, pode promover ganhos extraordinários, sejam genéticos ou econômicos. Contudo, caso seja realizada de maneira inadequada, pode promover sérios prejuízos. Dessa forma, consulte sempre um especialista.

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2018-07-22T17:02:22+00:00 0 Comments

About the Author:

Sâmila Esteves Delprete
Zootecnista, Mestra em Ciências Veterinárias e Técnica em Agropecuária

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