IATF: tecnologia para melhorar a reprodução na sua fazenda

IATF: tecnologia para melhorar a reprodução na sua fazenda

IATF: tecnologia para melhorar a reprodução na sua fazenda

Sâmila Delprete – Tecnologia no Campo

Um dos fatores que mais influencia o sucesso econômico da pecuária leiteira é a reprodução. Normalmente, independente do sistema de produção, vacas leiteiras apresentam problemas em relação à eficiência reprodutiva (principalmente as vacas mais produtivas).

Para se alcançar bom desempenho produtivo e reprodutivo deve-se buscar a redução do intervalo de partos, o que proporciona menor período de serviço¹. Em virtude de problemas de detecção de cio e queda nas taxas de concepção, o intervalo de parto tem sido prolongado.

Visando evitar este problema, estratégias de manejo reprodutivo vêm sendo desenvolvidas e devem ser implementadas, como é o caso da inseminação artificial em tempo fixo (IATF).

Os programas de IATF, desde o seu princípio, tem como uma de suas maiores vantagens o aumento da taxa de serviço² do rebanho. Isto quer dizer que permite um maior número de animais inseminados em relação aos sistemas convencionais de detecção de cio.

Você vai ver nesse post:

  • O que é IATF?
  • Como implementar a IATF?
  • Equipamentos e materiais necessários
  • Vantagens da IATF

O que é IATF?

A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) é uma técnica que foi desenvolvida com o objetivo de suprir as deficiências da inseminação artificial (IA). Essas deficiências são as falhas na detecção de cio e a incapacidade de atingir as fêmeas que estão em anestro ou com irregularidade no ciclo estral.

Com a evolução e popularização da técnica de IA, limitações como a detecção de cio, número baixo de animais inseminados e necessidade de mão-de-obra em tempo integral alavancaram a procura por alternativas, sem que houvesse comprometimento dos índices reprodutivos.

Assim, surgiram as técnicas de sincronização de cios e da ovulação que permitem a realização da IATF e possibilitam inseminar elevado número de animais no momento mais apropriado, sem a necessidade de observar o cio.

Para isto, fármacos para controle e sincronização do ciclo estral e ovulação são aplicados nas vacas, de forma que estas possam ser inseminadas em horários pré-definidos e com boas taxas de concepção. Também é possível fazer com que vacas em anestro voltem a ciclar.  

É interessante relatar que os fármacos e hormônios que são utilizados não prejudicam as vacas, pois são substâncias que participam naturalmente do processo fisiológico da reprodução. Além disso, ao término do efeito, não influenciam os próximos ciclos estrais.

Como implementar a IATF?

Alguns aspectos são fundamentais ao se pensar em implementar a IATF na sua propriedade, dentre eles:

  • A IATF deve ser utilizada em propriedades que tenham consultoria de profissionais capacitados;
  • O manejo nutricional, sanitário e reprodutivo dos animais deve estar adequado;
  • As fêmeas devem estar em boa condição corporal e com mais de 45 dias de pós-parto;
  • Para novilhas, somente as que já passaram por um ou dois ciclos estrais e atingiram o peso adequado à reprodução podem participar dos protocolos de IATF.

Há inúmeros protocolos desenvolvidos para a IATF. A seleção de qual utilizar é uma decisão técnica e, portanto, deve ser orientada por profissional capacitado, que realizará a avaliação dos animais. Contudo, os protocolos que têm demonstrado melhores resultados são os que fazem uso de dispositivos de progesterona e gonadotrofina coriônica equina (eCG), pois alia maior taxa de prenhez com o fato de atingir as fêmeas em anestro.

Para realizar a técnica, o primeiro passo é a seleção das fêmeas a serem sincronizadas. O protocolo recomendado na maioria das condições é:

  • Dia 0 às 8 horas: Inserção de dispositivo intravaginal de progesterona e aplicação de 2mg de Benzoato de Estradiol intramuscular;
  • Dia 8 às 8 horas: Aplicação de 400 UI de eCG intramuscular + aplicação de prostaglandina intramuscular + retirada do dispositivo de progesterona.
  • Dia 9 às 8 horas: Aplicação de 1 mg de Benzoato de Estradiol intramuscular.
  • Dia 10 às 16 horas: Inseminar todas as vacas sincronizadas.

Nas fêmeas que apresentam ciclos estrais regulares, pode-se retirar a eCG do protocolo, sem que haja queda na eficiência. Mais uma vez, vale ressaltar a importância de um profissional capacitado para orientar e executar a técnica.

Para melhores índices de prenhez devem ser consideradas as condições prévias referente às fêmeas, aos dias e horários de aplicação das doses e à experiência do inseminador. O índice de prenhez acima de 50% indica que a técnica foi bem aplicada.

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Como implementar a IATF?

Alguns aspectos são fundamentais ao se pensar em implementar a IATF na sua propriedade, dentre eles:

  • A IATF deve ser utilizada em propriedades que tenham consultoria de profissionais capacitados;
  • O manejo nutricional, sanitário e reprodutivo dos animais deve estar adequado;
  • As fêmeas devem estar em boa condição corporal e com mais de 45 dias de pós-parto;
  • Para novilhas, somente as que já passaram por um ou dois ciclos estrais e atingiram o peso adequado à reprodução podem participar dos protocolos de IATF.

Há inúmeros protocolos desenvolvidos para a IATF. A seleção de qual utilizar é uma decisão técnica e, portanto, deve ser orientada por profissional capacitado, que realizará a avaliação dos animais. Contudo, os protocolos que têm demonstrado melhores resultados são os que fazem uso de dispositivos de progesterona e gonadotrofina coriônica equina (eCG), pois alia maior taxa de prenhez com o fato de atingir as fêmeas em anestro.

Para realizar a técnica, o primeiro passo é a seleção das fêmeas a serem sincronizadas. O protocolo recomendado na maioria das condições é:

  • Dia 0 às 8 horas: Inserção de dispositivo intravaginal de progesterona e aplicação de 2mg de Benzoato de Estradiol intramuscular;
  • Dia 8 às 8 horas: Aplicação de 400 UI de eCG intramuscular + aplicação de prostaglandina intramuscular + retirada do dispositivo de progesterona.
  • Dia 9 às 8 horas: Aplicação de 1 mg de Benzoato de Estradiol intramuscular.
  • Dia 10 às 16 horas: Inseminar todas as vacas sincronizadas.

Nas fêmeas que apresentam ciclos estrais regulares, pode-se retirar a eCG do protocolo, sem que haja queda na eficiência. Mais uma vez, vale ressaltar a importância de um profissional capacitado para orientar e executar a técnica.

Para melhores índices de prenhez devem ser consideradas as condições prévias referente às fêmeas, aos dias e horários de aplicação das doses e à experiência do inseminador. O índice de prenhez acima de 50% indica que a técnica foi bem aplicada.

Equipamentos e materiais necessários para a IATF

O material básico a ser utilizado nos programas de IATF são os seguintes:

  • Tronco de contenção;
  • Aplicador de progestágeno;
  • Dispositivo intravaginal com progesterona;
  • Balde;
  • Luva descartável;
  • Seringas e agulhas;
  • Hormônios (dependendo do protocolo);
  • Papel toalha;
  • Algodão e álcool iodado;
  • Tesoura;
  • Luva de palpação;
  • Ficha para anotações, prancheta e caneta; e
  • Material de IA.

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Vantagens da IATF

Algumas vantagens de se implantar a IATF na sua propriedade são:

  • Não é necessária a observação de cio. Com isso, elimina-se as falhas de detecção de cio;
  • Volta à ciclicidade de fêmeas em anestro, sendo estas inseminadas com bons índices de concepção;
  • Vacas prenhas mais rápido no período pós-parto, reduzindo assim a médio de intervalo de parto (IP), maior produção de leite/ano e de bezerros. Num rebanho leiteiro, a redução de um mês na média do IP, produz aumento de 5 a 6% na produção de leite e bezerros;
  • Evita a realização de IA em vacas fora do momento certo, diminuindo o desperdício de sêmen, material e mão-de-obra;
  • Diminui o descarte de matrizes e com isso, o custo de reposição de matrizes;
  • Diminui o investimento em touros;
  • Possibilidade de concentração de partos na entressafra leiteira, quando os produtores recebem maiores valores pelo leite;
  • É uma ferramenta extremamente importante no processo de melhoramento genético do rebanho;
  • Organização da mão-de-obra, proporcionando melhor qualidade de vida aos inseminadores, que não necessitam demandar tempo para observação de cio; e
  • Melhora o manejo das pastagens, pois evita a degradação dos piquetes próximos ao curral (que seriam muito utilizados caso fosse programa de IA convencional).

Para concluir…

  • É possível melhorar os índices reprodutivos por meio da utilização da IATF;
  • Os protocolos de IATF são de fácil realização e podem apresentar vantagem quanto ao custo-benefício, pois o aumento da produção leiteira e os nascimentos dos bezerros suprem os investimentos, gerando lucro;

Apesar de relativamente simples, é extremamente importante a consultoria de um especialista para adequar a técnica ao seu rebanho.

¹ Período de serviço: é o intervalo de tempo entre o parto e a primeira cobertura ou inseminação artificial, confirmada a gestação. É o número de dias para a vaca emprenhar após a parição. O aumento do período de serviço acarreta, consequentemente, em aumento no intervalo de partos.

² Taxa de serviço: é a porcentagem de vacas que são cobertas ou inseminadas em relação ao número de vacas aptas a cada período de 21 dias. É um dos indicadores para se monitorar a eficiência reprodutiva em rebanhos leiteiros e também é conhecida como taxa de inseminação.

2018-11-18T22:27:46+00:00 1 Comment

About the Author:

Sâmila Esteves Delprete
Zootecnista, Mestra em Ciências Veterinárias e Técnica em Agropecuária

One Comment

  1. Maria Izabel Vieira de Almeida 08/11/2018 at 07:24 - Reply

    Excelente essa matéria sobre IATF! Fácil de ler e entender, é de grande utilidade para os produtores. Parabéns!

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