Ordenha: tudo que você precisa saber para um processo eficiente

Ordenha: tudo que você precisa saber para um processo eficiente

Sâmila Delprete |Tecnologia no Campo

O ato de extrair o leite da glândula mamária é denominado ordenha. Pode ser realizada de forma manual, mecânica ou ainda pelo bezerro no caso da amamentação. É uma tarefa que necessita de cuidados, pois proporcionará leite em maior quantidade e qualidade quando bem executada. Separamos 15 dicas para que você tenha o melhor processo possível:

  1. Rotina de ordenha
  2. Estresse do rebanho
  3. Ordenhadores
  4. Sala de espera
  5. Mastite
  6. Qualidade da água
  7. Linha de ordenha
  8. Cuidados com o calor
  9. Tempo de ordenha
  10. Teste da caneca
  11. Lavagem dos tetos
  12. Pré-dipping
  13. Papel toalha
  14. Pós-dipping
  15. Pós-ordenha

1 – Rotina de Ordenha

Os reflexos auditivos e visuais, assim como a mamada do bezerro e a manipulação dos tetos pelo ordenhador, são importantes para a secreção de ocitocina (hormônio que promove a liberação do leite). Este fato explica porque algumas vacas liberam leite antes de entrarem na sala de ordenha.

Qualquer alteração na rotina das vacas pode vir a comprometer ou diminuir o tempo de liberação da ocitocina, prejudicando a produção de leite.   

Pesquisas mostram aumento de 5,5% na produção de leite quando há uma rotina padronizada quando comparada à práticas variadas.

2 – Estresse do rebanho

Jamais deixar que as vacas se estressem. Ações que levem as vacas ao estresse comprometem a ordenha por prejudicarem a secreção de leite, pois promovem a liberação de adrenalina, que possui função antagônica à ocitocina.

Além de inibir o efeito da ocitocina, provoca a constrição de arteríolas e vasos capilares do úbere. Pesquisas mostram redução de 10% na produção de leite quando as vacas sobre maus-tratos.

3 – Ordenhadores

Durante todo o processo de ordenha existe uma figura-chave fundamental: o ordenhador. Se não houver atenção necessária ao ordenhador, como a promoção de cursos de capacitação e orientações, de nada adianta realizar investimentos em equipamentos modernos, em vacas de alta produção ou qualquer outro.  

4 – Sala de espera

A sala de espera deve ter sombra, com disponibilidade de área de 1,7 a 2,0 m² por vaca, com 3% de desnível no solo. A sala deve ser arejada, limpa, confortável e bem dimensionada. Além disso, é fundamental que tenha água fresca para o rebanho.

5 – Mastite

A mastite bovina ou mamite é uma das principais doenças de rebanhos leiteiros. Apresenta impacto econômico devido à queda na produção e qualidade do leite, descarte de vacas por perda de quarto(s) mamário(s) e, consequentemente, maior custo de produção. Além disso, tem importância quanto à saúde pública, devido a bactérias que podem ser perigosas à saúde humana.

Dentre os microrganismos causadores de mastite há diversas bactérias, entre estas o Streptococcus uberis, Escherichia coli e Nocardia spp. Essas bactérias são patógenos oportunistas, ou seja, sobrevivem e se reproduzem em locais fora da glândula mamária. Desta forma, a higiene do local de ordenha é fundamental para reduzir a possibilidade de multiplicação destes microrganismos.

6 – Qualidade da água

A qualidade da água utilizada para a lavagem do equipamento de ordenha e dos utensílios (objetos utilizados na ordenha) e lavagem dos tetos é importante. Influencia diretamente na CBT (contagem bacteriana total) do leite.

7 – Linha de ordenha

Recomenda-se que o produtor elabore (ou peça a ajuda de um profissional capacitado para elaborar) a linha de ordenha, ou seja, defina quais vacas serão ordenhadas primeiro.

Essa estratégia simples e sem custo permite a diminuição da transmissão da doença, da taxa de novas infecções e da prevalência da mastite no rebanho.

Para saber como montar a linha de ordenha e colocar em prática na sua propriedade, clique aqui.

8 – Cuidados com o calor

O estresse calórico (estresse por calor) é causado por temperaturas elevadas e pode ser detectado por meio de alterações comportamentais dos animais, como:

  • mudança dos padrões normais de temperatura
  • mudança nos padrões de movimentação
  • redução do consumo de alimentos
  • aumento no consumo de água
  • aumento do tempo de ócio (tempo de descanso).

Todas estas mudanças de comportamento são tentativas de reduzir a produção de calor pelo animal, visando o conforto térmico.

Promova um ambiente de ordenha fresco, com cuidado para não haver ventos em demasia e entrada de chuva (em locais muito abertos). Na pastagem, promova sombreamento natural ou artificial.

9 – Tempo de ordenha

O leite deve ser ordenhado o mais rápido possível, visto que o tempo de ação da ocitocina é de 4 a 7 minutos. Portanto, a ordenha deve ser rápida e contínua, evitando-se qualquer interrupção. Nos 3 a 4 minutos após a preparação ocorre a ordenha de 70% do leite da vaca.

10 – Teste da caneca do fundo preto

O teste da caneca de fundo preto (caneca de fundo escuro/ caneca de fundo telado) deve ser feito em todas as ordenhas. Utilize os três primeiros jatos de leite de cada teto na realização do teste da caneca de fundo preto. Esta prática além de estimular a descida do leite, serve para diagnosticar mastite clínica e descartar os jatos mais contaminados por microrganismos.

11- Lavagem dos tetos

A lavagem dos tetos deve ser feita utilizando água potável. Tenha cuidado para não molhar o úbere e água contaminada escorrer para dentro da ordenhadeira. Certamente, caso isto ocorra, haverá expressivo aumento na CBT.

A lavagem dos tetos para retirada de matéria orgânica é importante, pois inviabiliza a ação dos desinfetantes.

12 – Pré-dipping

Ao fazer a imersão dos tetos por completo em solução desinfetante, seja à base de iodo, clorexidina ou de acordo com a recomendação técnica, aguarde 30 segundos para sua ação.

O pré-dipping diminui significativamente os microrganismos, contribuindo para redução da CBT do leite, por haver menos microrganismos para se multiplicarem no tanque resfriador.

13 – Papel-toalha

Secar os tetos é fundamental, pois quando molhados prejudicam a qualidade do leite por ocorrer transporte de bactérias e resíduos de desinfetantes.

Utilize papel-toalha descartável. Toalhas de pano podem ser meios de contaminação, podendo transmitir mastite de um teto para outro.

14 – Pós-dipping

Desinfete os tetos ao final de cada ordenha utilizando recipiente do modelo sem retorno. Esta prática reduz casos de mastite subclínica e, consequentemente, clínica.

15 – Pós-ordenha

Forneça alimento para que as vacas fiquem em pé após a ordenha por um período de aproximadamente duas horas. Neste período o esfíncter do teto ainda estará aberto. Caso as vacas se deitem, os microrganismos do ambiente infectam os tetos, acarretando novos casos de mastite.

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