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Zebu: saiba tudo sobre a espécie base do rebanho brasileiro

Zebu é uma espécie de boi doméstico de origem indiana. Ele possui uma corcova adiposa sobre a cernelha (cupim).

As raças bovinas podem se dividir em dois grupos, taurinos (Bos taurus) e zebuínos (Bos indicus). Sabendo da importância dos rebanhos para a economia brasileira, preparamos esse artigo sobre a raça zebuína.

Aqui você verá:

  • História do Zebu
  • Zebu no Brasil
  • Por que criar Zebu?
  • Principais raças Zebuínas

História do Zebu

O Zebu (Bos indicus) é originário da Índia e do Oriente Próximo. Em seu país de origem, o bovino é utilizado principalmente como animal de carga, tração, montaria e produção de leite, visto que na Índia estes animais são considerados sagrados e a fé hindu não permite o aproveitamento da carne bovina na alimentação. 

As raças zebuínas na Índia são extremamente diversificadas, o que justifica o seu alto grau de adaptabilidade e existência na região. Aproximadamente um terço do rebanho bovino do mundo é do tipo zebuíno e está centralizado no Sul da Ásia.

No começo do século XX, ocorria o “grande ciclo das importações” e a Índia realizava o melhoramento e seleção do zebu em fazenda experimentais mantidas pelo governo inglês e príncipes indianos. Com o término do domínio inglês na Índia, em 1947, ocorreu um desinteresse nos trabalhos, o que acarretou no aumento das exportações com o intuito de elevar a renda nacional.

Desta forma, a espécie zebu se espalhou pelo mundo, podendo ser encontrado em lugares como a China, Iraque, Ásia Menor, Austrália, África, sul dos Estados Unidos, América Central, Venezuela, Colômbia, norte da Argentina, dentre outros. Entretanto, é o Brasil, depois da Índia, o país com os maiores e melhores rebanhos, em processo de seleção étnica e funcional.

Zebu no Brasil

O Brasil possui uma base de rebanho bovino de maioria genética zebuína, são 80% dos animais de raças zebuínas ou fruto de cruzamento entre elas. O zebu tem papel fundamental na economia brasileira, elevando o conceito e valor da pecuária e do agronegócio nacional.

Ele contribui como fonte de proteína animal, couro, leite e derivados, no comércio nacional e internacional de embriões e sêmens e de reprodutores e matrizes. 

De acordo com a ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) a raça zebuína que se sobressai na produção de carne é o Nelore e suas variedades. Já quando falamos de produção de leite é o Gir e o Girolando, resultado do cruzamento entre o touro Gir e a vaca holandesa.

Por que criar Zebu?

Os rebanhos de zebus possuem uma enorme adaptabilidade em climas tropicais, principalmente em locais secos, o que pode ser considerado um dos principais motivos para o Brasil deter os melhores rebanhos.de zebus do mundo.

Por demonstrar características zootécnicas desejáveis para essas condições, o rebanho de zebus geram uma pecuária de maior e melhor resultado. A ABCZ e EMBRAPA apresentam centenas de características, destacamos algumas para você!

Resistência a endo e ectoparasitas

Por possuírem pêlos curtos, lisos e densos, impedem e dificultam a penetração de moscas, carrapatos e bernes no corpo.

Eficiência alimentar a pasto

Oportunidade de produção em sistemas intensivos em pastagens com animais de raças zebuínas, gerando novilhos precoces para a idade de abate ou alta de produção leiteira por hectare. Uma nova perspectiva para fazendas pequenas e que necessitam de exploração intensiva para retribuir todo o capital investido na atividade, obtendo margem de lucro.

Elevada fertilidade

Apresentam alto índice de desempenho reprodutivo e produtivo, principalmente em climas tropicais.

Longevidade

Quanto mais vivem, mais rentabilidade para o fazendeiro. As vacas zebuínas possuem uma boa longevidade, podendo conceber mais de 10 bezerros em sua vida produtiva. Por possuírem peso adulto moderado, o custo de mantença e a eficiência produtiva em condições de restrição alimentar, comparada a vacas de maior porte, é menor. É natural também encontrar touros com mais de 14 anos cobrindo campos, apresentando altos índices de eficiência.

Adaptabilidade

As raças zebuínas se habituam com facilidade a ambientes desafiadores, seja por longos períodos de seca e restrição alimentar ou por temperaturas baixas. Por este motivo, os rebanhos são encontrados nas mais diversas regiões do Brasil, do árido sertão nordestino aos pampas gaúchos, por exemplo.

Heterose – melhor desempenho

O cruzamento de vacas taurinas com zebu geram um alto ganho de produtividade, obtido pela heterose, o vigor híbrido proporcionado pelo cruzamento. Os produtos originados do cruzamento recebem diferentes qualidades dos zebuínos, agregando valor. Estes animais meio sangue zebu/taurinos são mais rústicos, longevos e resistentes a carrapatos e demais parasitas. Assim, em conjunto com a conversão alimentar e a eficiência produtiva, resultam na redução de custos de produção, aumentando o lucro.

Pode-se observar também produtos extremamente precoces, férteis, rústicos, estruturados e de ótima qualidade de carcaça nos cruzamentos para corte. Já nos cruzamentos para leite, as fêmeas apresentam alta produção e grande eficiência à pasto. 

Principais raças Zebuínas

O Brasil possui diversas raças de zebuínos, cada uma possuindo uma particularidade e desafio para criação. Conheça um pouco sobre elas.

Brahman – Formada nos EUA, é resultado do cruzamentos de zebuínos da Índia e do Brasil na década de 1920. Presente em mais de 70 países, veio para o Brasil em 1994.

Guzerá – Gado milenar e o zebuíno mais antigo na seleção genética brasileira. É excelente para a produção de leite e carne.

Gir – Tradicionalmente é um grande fornecedor de genética leiteira, serve de base em outras raças, como o girolando;

Indubrasil –  Possui características altamente produtivas. O gado está espalhado por diferentes regiões do país.

Sindi – Originário do Paquistão, é o gado perfeito para a região nordeste do Brasil, convertendo ganhos de produção de carne e leite mesmo em condições extremas;

Nelore / Nelore Mocho – Raça de maior população no país. Difundido por todo território nacional, é muito precoce e possui altíssimo rendimento de carcaça, atendendo às expectativas da indústria frigorífica. 

Tabapuã – Se adapta muito bem à região sul do país. É uma raça brasileira de corte, resultado do cruzamento entre o gado mocho nacional e animais de origem indianas.

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