Impacto do Coronavírus nas Commodities e na Agropecuária

Impacto do Coronavírus nas Commodities e na Agropecuária

Dia 11/03/2020 a OMS declarou o surto do Coronavírus como uma pandemia. Dia 17/03/2020 a bolsa brasileira acumulava uma queda de -35,48% no ano. 

É inegável que estamos vivendo uma das maiores crises econômicas de todos os tempos. Provavelmente será o “autor” de filmes e livros sobre esse momento especial do mundo.

A projeção para o PIB brasileiro já saiu da casa de 2,20% para abaixo de 1,90%. O FED, Banco Central Americano, reduziu as taxas de juros para 0,0%. O forte PIB chinês que era esperado de 5,0% em 2020, agora encolheu para 3,0%. 

Tendo em vista o cenário difícil na economia mundial, resolvemos realizar uma breve análise de qual está sendo o real impacto do vírus nas Commodities Agrícolas e nas empresas do Agronegócio. Em tempos de crise, o melhor remédio é a informação, vem com a gente!

Nesse artigo você vai ver:

  • O que são Commodities;
  • Desempenho das Commodities Agrícolas;
  • Queda nos preços X Queda nas exportações; 
  • Desempenho das Empresas Agrícolas;
  • As empresas vão quebrar?

O que são Commodities?

Antes de falar sobre como o vírus pode impactar o agronegócio, é importante ter em mente o que são as Commodities e por que elas são fatores extremamente relevantes para a economia mundial.

Commodities, em tradução simples significa mercadoria. Elas se resumem em itens que são matéria-prima e a base para outros produtos. São produzidas em grandes volumes e normalmente podem ser estocados por um longo período de tempo mantendo suas características originais.

Elas tem o seus preços definidos pela lei da oferta e da procura. Quanto maior a oferta, menor o preço. Quanto maior a procura, maior o preço. 

Para não me delongar mais, já que esse não é o tema desse texto, recomendo a leitura deste outro artigo. Lá explicamos de forma mais detalhada sobre as Commodities

Como as Commodities são a base de quase tudo que consumimos, o seu custo é um fator chave na produção de qualquer produto. Uma pequena variação no preço pode gerar um forte aumento no preço final para o cliente, forçando assim a inflação do país para cima. Por isso a sua importância!

Desempenho das Commodities Agrícolas

Como falamos no artigo “Agronegócio: Como ele poderá ser afetado pelo Coronavírus”, algumas consequências do vírus podem afetar fortemente as Commodities Agrícolas, sendo algumas delas:

  • A alta do dólar 
  • A queda nas exportações
  • A escassez de insumos agrícolas

Por isso, resolvemos analisar até agora qual está sendo o real impacto nos preços dos principais produtos agrícolas produzidos no Brasil. Para isso, utilizaremos como base os preços dos contratos futuro negociados na bolsa.

Atualmente, na Bolsa brasileira (B3) podem ser negociadas os seguintes itens derivados do agronegócio: 

  • Boi Gordo
  • Café Arábica
  • Etanol Hidratado
  • Milho
  • Soja

Confira a variação dos preços destes ativos desde o dia 02/01/2020:

Desempenho no ano das Commodities Agricolas

Como podemos ver no gráfico, o Café Arábica lidera as perdas no ano, desvalorizando -23,27% em 2020.

Na outra ponta, o Milho foi a única Commodity que se valorizou no presente ano, alcançando uma singela alta de 3,06%. 

Queda nos preços X Queda nas exportações. 

O COVID-19 já está causando impactos nas economias de todos os continentes com diversos países revisando as projeções de crescimento para baixo. Isso faz com que países que eram grandes importadores de produtos brasileiros diminuam o volume de compras, diminuindo assim as perspectivas de vendas. 

Para uma análise mais detalhada, e entender o motivo da variação nos preços vamos utilizar as duas Commodities dos extremos: o Milho na ponta de alta e o Café na ponta de baixa. 

Milho

Surpreendente, em meio ao caos, o Milho conseguiu ainda alcançar uma elevação no seu preço em 2020. Consideramos alguns fatores chaves para esse “sucesso”: 

  • Em 2019, O Brasil se tornou  o maior exportador de milho do mundo, despachando mais de 44 milhões de toneladas. O país superou os Estados Unidos e alcançou um crescimento de 88% em relação ao ano anterior.
  • Já era esperada uma escassez do produto para 2020. Especialistas da FAESC acreditavam que a insuficiência de milho aconteceria por fatores naturais tais como secas, queimadas, atraso no plantio e redução de área cultivada. 
  • Alta do dólar: a moeda já ultrapassou os R$ 5,00. Pelo grande volume exportado, esse fator é muito importante para o milho brasileiro. Para se ter uma noção, o milho negociado nos Estados Unidos já caiu mais de 10% em 2020. 
  • O milho é a base da alimentação de vários animais, ou seja, representa a base de um dos alimentos mais consumidos do mundo. Se tornando mais necessário e menos vulnerável à crises.

Café Arábica

O Café foi a Commodity que mais caiu no ano. Alcançando uma forte desvalorização de mais de 20%. Alguns fatores importantes que podem ter influenciado essa queda:

  • Antes da explosão do Coronavírus o preço do café já apresentava uma tendência de baixa. Em janeiro desse ano a Commodity negociada na B3 desvalorizou mais de 20% e recuperando quase 7% em fevereiro. O COVID-19 serviu como um impulso para a sua desvalorização. 
  • Café é mais supérfluo que o milho. Enquanto o café já é praticamente o produto final para o consumidor, e apesar de fazer parte da rotina das pessoas, não é um item essencial, o Milho é peça chave na produção de outros produtos. 

Desempenho das Empresas Agrícolas

Agora que já vimos o desempenho das Commodities Agrícolas, vamos ver as consequência do vírus nas empresas do setor. 

Nesse tipo de evento, é extremamente difícil analisar porque uma companhia caiu mais que a outra, e vice-versa. É normal todas as empresas serem afetadas pelo pessimismo global e doméstico. 

Com as empresas do agronegócio não seria diferente. Para ser ter uma dimensão dos impactos do COVID-19, vamos analisar as variações das  empresas do setor negociadas na bolsa brasileira. São elas: 

  • SLC Agrícola – [SLCE3]
  • Brasilagro – [AGRO3]
  • Terra Santa – [TESA3]
  • Pomifrutas – [FRTA3]

Confira a variação dos preços destes ativos desde o dia 02/01/2020:

Desempenho no ano das empresas Agricolas

Como podemos ver no gráfico, nenhuma ação está sobrevivendo ao vírus. A Pomifrutas lidera as perdas com uma absurda desvalorização de 70,55% no ano. Vale lembrar que a companhia se encontra em recuperação judicial desde 06/2018. 

Segurando as pontas, mas ainda em uma forte baixa, a SLC Agrícola acumula uma perda de 20,24% em 2020. 

As empresas vão quebrar? 

Provavelmente não. Com exceção de Pomifrutas, que possui uma altra probabilidade de falir, uma vez que a empresa já se encontra em recuperação judicial desde 2018 e seus planos não foram bem sucedidos até então. 

Sabemos que a economia é cíclica, ou seja, depois de um forte crescimento vem uma forte enfraquecimento. Neste cenário de uma possível recessão econômica, temos que nos perguntar: a empresa vai conseguir sobreviver a esse período de baixa? 

O indicador que traz mais clareza a essa pergunta é o nível de endividamento da companhia, levando em conta o forte impacto no fluxo de caixa para os próximos meses.

Para medir esse nível, iremos simplesmente dividir o valor da dívida total pelo valor patrimonial da empresa. Quanto menor esse fator, melhor, pois indica uma maior capacidade da cia cumprir com as suas obrigações. Confira: 

  • SLC Agrícola – Nível de endividamento = 0,67 
  • Brasilagro – Nível de endividamento = 0,49 
  • Terra Santa –  Nível de endividamento = 0,88
  • Pomifrutas – Indisponível 

Atenção: essa é uma análise extremamente simplista. Para de fato entender a saúde da empresa é necessário analisar outros indicadores como a Liquidez corrente, vencimento das dívidas e também o valor da dívidas em dólares

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