Análise do Solo: como a análise do solo ajuda o produtor

Análise do Solo: entenda os principais métodos e como a análise do solo pode ajudar o produtor

Análise do Solo: entenda os principais métodos e como a análise do solo pode ajudar o produtor

João Fowler | Tecnologia no Campo

Anualmente, milhões de dólares são investidos na criação de cultivares transgênicas, maquinários extremamente tecnológicos e defensivos de última geração.

A agricultura moderna evolui constantemente e caminha rumo aos processos de automação, como o uso de drones e sistemas que transformaram a propriedade rural e especializaram a mão-de-obra no campo, contribuindo para safras recordes nos principais países produtores.

No entanto, nada disso é possível sem os cuidados com um fator que somente a natureza pode produzir ao longo de milhares de anos: o solo.

Segundo estudos realizados pela FAO, braço da ONU que atua na alimentação e agricultura, 30% dos solos mundiais estão degradados e há a estimativa de que, até 2050, haja 10% de perdas anuais das culturas em virtude dos processos erosivos e dos prejuízos ambientais que os solos degradados causam a todo o ecossistema.

Para amenizar esse problema, a conservação e o manejo do solo são fundamentais e, nesse contexto, a análise de solo associada à agricultura de precisão são grandes aliadas para o monitoramento dos processos de perdas nutricionais.

Nesse texto vamos abordar:

  • O que é uma análise de solo
  • Como realizar a amostragem
  • O que é avaliado na análise de solo
  • Como escolher um laboratório confiável
analise de solo

O que é a Análise do Solo?

A análise de solo é o primeiro passo para um manejo de culturas adequado.

Será ela que mostrará as condições químicas e físicas, como os teores nutricionais, acidez e o tamanho das partículas, permitindo avaliar a necessidade de calagem, quanto e qual tipo de calcário deve ser utilizado e quais nutrientes devem ser fornecidos por meio de adubação.

Ou seja, a garantia de uma alta produtividade aliada a preservação do meio ambiente passa por um solo fértil e conservado e a análise de solo é fundamental para propiciar as melhores condições para as culturas.

Além disso, o procedimento de análise de solo é pré requisito para algumas instituições financeiras que fornecem crédito rural e seguro agrícola. O Banco do Brasil, por exemplo, exige análises químicas a cada 2 anos e análises físicas a cada 10 anos para contratação do ProAgro.

Como fazer uma análise de solo

  • Divisão da área em glebas

Para que o diagnóstico das condições de solo da propriedade seja preciso, é necessário dividir as área total em glebas.

De acordo com o Manual de Fertilidade do Solo (Coamo/Codetec), as áreas devem ter até 20 hectares e devem ser consideradas as condições de topografia, cor, vegetação natural e a realização de preparos anteriores que possam ter influenciado as características do solo.

  • Amostragem do solo

O principal instrumento para retirar as amostras é o trado. Há diversos tipos de trados, cada um destinado a um tipo de solo, porém, o trado holandês é o mais comum, utilizado em várias regiões do Brasil e adaptável a todos os tipos de solo, apesar de exigir grande esforço físico.

Dentro da gleba, deve-se realizar a coleta das amostras em áreas aleatórias, porém, evitar linhas de plantio, sulcos de erosão, áreas próximas a matas e estradas pois haverá comprometimento dos resultados.

A freqüência de amostragem em uma área varia com o nível de significância e o que será avaliado, conforme a tabela abaixo:

analise de solo

Fonte: Raij (1991), retirado de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas (COAMO/CODETEC)

  • Profundidade de amostragem

As amostras devem ser estratificadas, ou seja, o solo deve ser retirado em uma camada de 0 a 10 cm e outra de 10 a 20 cm para possibilitar a avaliação do comportamento dos nutrientes ao longo do tempo.

Para fins de recomendação de adubação e calagem, considera-se a média das duas porções.

Em alguns casos, por exemplo na cultura do trigo ou para avaliação de nutrientes específicos como enxofre e boro, uma amostragem de 20 a 40 cm se faz necessária.

  • Tipos de amostra

A retirada de uma amostra em um único ponto no terreno é denominada amostra simples.

Ao homogeneizar-se as amostras simples, obtêm-se uma amostra composta, que contém todos os pontos de amostragem estratificada de uma mesma gleba ou talhão, ou seja, a mistura de todas as coletas de 0 a 10 cm e, separadamente, as coletas de 10 a 20 cm.

Para fins de análise, são retirados cerca de 300 gramas de uma amostra composta. Portanto, é fundamental realizar a homogeneização de forma adequada para ter uma boa representatividade das condições do solo.

  • Interpretação da análise

Após a realização da análise laboratorial, cabe ao produtor ou profissional capacitado interpretá-la para tomar as decisões corretas a respeito da adubação e calagem.

Os principais pontos observados são:

  1. Saturação por bases (V%)
  2. CTC ou T
  3. Acidez do solo (pH)
  4. Tamanho de partículas (argila, silte e areia)
  5. Teores nutricionais (matéria orgânica, cálcio, magnésio, potássio, fósforo e alumínio)
  6. Relação Cálcio/Magnésio
  7. Saturação por alumínio (m%)

Cada região possui suas publicações específicas para a metodologia e interpretação das análises de solo.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Ciência do Solo é um dos principais canais para obter informações a respeito.

Como escolher um laboratório de análise de solo

Amostragem em pontos de coleta bem distribuídos, homogeneização das amostras, investimento em agricultura de precisão para aplicação de insumos parceladamente…

Seguir os procedimentos adequadamente de nada adiantará se as amostras forem enviadas a laboratórios pouco confiáveis. Isso compromete todo o esforço realizado anteriormente e as recomendações futuras não terão credibilidade.

Para isso, atente-se aos selos e certificados de qualidade dos laboratórios. De forma geral, bons laboratórios possuem certificações ISO, selo do INMETRO e são credenciados por instituições de pesquisas e universidades públicas, além de sempre fornecer laudos com assinatura de um responsável técnico.

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2019-01-06T21:40:23+00:00 0 Comments

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Engenheiro agrônomo e mestre em manejo de culturas pela UFPR

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